Próximo aos trinta anos, já com certa experiência como professora de música, observava os exercícios dos alunos com seus instrumentos tentando entender ritmos, partituras, vozes, melodia, afinação e tudo o que exija a observação de quem quer ser músico. Fui adaptando cada um de acordo com suas dificuldades e capacidade de assimilação e prática. Tudo em busca de encontrar, em várias tentativas, a melhor didática. Quais palavras usar para diferentes ouvidos? Até onde ir sem desrespeitar limites?
Tive contato com diferentes idades, origens, gêneros, culturas e crenças. Muitos sofriam com depressão, outros, com baixa autoestima. Lidei com homens e mulheres decepcionados com seus relacionamentos, frustrados ou preocupados com o trabalho, idosos entediados e solitários, crianças hiperativas, entre outros. Percebia, na maioria, necessidades que iam além da música. Para muitos, mais que professora eu era uma confidente e as aulas eram como uma seção terapêutica. Em vários casos não conseguia ser apenas espectadora e, pouco a pouco, arriscava alguns conselhos e orientações. Percebendo a positividade dessa atitude, senti o dever e a necessidade de me aprofundar mais. Frequentei uma faculdade de psicologia, fiz cursos de musicoterapia, cromoterapia, aromoterapia e Do-In, isso somado a palestras e livros. Com a ajuda dessas terapias pude, na medida em que as compreendia melhor, me dedicar mais às questões de cada um.
Com os diferentes caminhos que percorremos, me distanciei das aulas de música, perdendo contato direto com os alunos. Mas mantive o que teve início naquela época e que creio ser minha missão nessa vida, ouvir, observar e procurar ajudar aqueles que cruzam o meu caminho ou que tenham os seus cruzados por mim. Busco agir assim sempre que me é permitido e sentir competência para influenciar positivamente. No decorrer dos anos, após muitas idas e vindas e compartilhar diversas experiências, passei a fazer uso de diferentes formas de divulgar boas mensagens. Creio que um quadro, um ramo, um vaso, entre outros objetos, podem transmitir diversas sensações e estimular sentimentos, desde que tenham sido desenvolvidos com esse objetivo. As cores empregadas, o aroma e o som que possam emitir são de grande importância e influenciam os que convivem com eles.
Em mais uma diferente fase dessa minha vida, com poucas condições de viajar e manter diferentes contatos, passo a me dedicar quase que exclusivamente a esses objetos. Em alguns dos meus trabalhos procuro transmitir paz e leveza, em outros, alegria e revitalização. Grande parte é feita com o uso de materiais reciclados, procurando mostrar que a beleza e a utilidade das formas podem ser aproveitadas de diferentes maneiras. Cada cor é aplicada para uma determinada função. Em alguns faço uso de aromas que complementam o resultado.
